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C6.4

Institutos Religiosos (Masculinos)

Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus SCJ.



Padre Carlos Luis Suarez Codorniu, SCJ, Superior Geral dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)


Responder às necessidades da Igreja em Macau



O padre Carlos Codorniu esteve em Macau para se encontrar com os irmãos da sua Congregação que vivem em Macau e Hong Kong, e com o Bispo da Diocese, D. Stephen Lee.  O jornal O CLARIM conseguiu uma entrevista com o padre pouco antes do mesmopartir para Taiwan.  O diálogo é agora dado conforme se segue (edição Nº 39 de 1 de Março):



O CLARIM – Que retrato faz da Igreja Católica em Macau?


PADRE CARLOS CODORNIU – Nos últimos seis anos fui contactando com os religiosos da nossa Congregação que vivem em Macau. Esta foi a segunda oportunidade que tive de os visitar. Durante este tempo, percebi que estamos perante uma Igreja muito ativa e com muita sensibilidade, especialmente nas áreas da Educação e do acompanhamento às comunidades de diferentes origens. Isto faz-me compreender que se trata de uma Igreja que procura servir e acolher a todos, para que todos se sintam em casa no seio da sua comunidade de fé. Parece-me que é uma Igreja com uma visão muito aberta e atenta às realidades do mundo de hoje, a partir de Macau. Penso – até pelo que sei – que existe uma boa comunhão entre os nossos irmãos. Estamos muito gratos pelo apoio que sempre receberam do Bispo Stephen Lee, dos leigos, das comunidades religiosas de Macau e do clero diocesano. Tudo isto facilitou muito a adaptação dos nossos irmãos à Diocese e a toda esta realidade, para a qual procuram contribuir com o nosso carisma dehoniano.


CL – Qual o contributo específico que os Dehonianos podem dar às Dioceses de Macau e Hong Kong, onde estão representados por oito religiosos (sete sacerdotes e um diácono)?


P.C.C. – A partir da nossa experiência carismática, alimentamos o desejo de estarmos sempre muito atentos às realidades da Igreja e da sociedade, procurando responder a situações concretas. No nosso caso, a nossa presença, seja em Macau ou em Hong Kong, tem tido, antes de mais, o objetivo de apreciar e compreender a dinâmica eclesial, a cultura, a língua... Tudo isto resulta de um longo tempo de preparação. Nestes anos que aqui estamos, temos procurado encarar a nossa disponibilidade de serviço ao outro como um elemento muito crucial do nosso carisma; tal como fez o Padre Dehon ao longo da sua vida, no cumprimento do princípio “Aqui estou para fazer a tua vontade” (cf. Heb., 10, 7). É neste “Aqui estou” que procuramos viver em resposta às necessidades da Igreja local, seja no serviço pastoral das paróquias, no mundo educativo, na pastoral aos imigrantes, e até nos Meios de Comunicação Social. Vivemos este “Aqui estou” também no modo como nos aproximamos das pessoas, partilhando a nossa espiritualidade, em particular a Eucaristia e a reconciliação.


CL – Que futuro deseja para a presença dehoniana nestas terras?


P.C.C. – Lembro-me que quando o Papa João Paulo II convidou a Igreja a evangelizar na Ásia, a nossa Congregação recebeu esse convite com grande alegria. O nosso Superior Geral na altura, com grande entusiasmo, encorajou a Congregação a olhar com carinho para a Ásia, a estar disposta a aprender com a cultura desta região do mundo e também a servir a Igreja. Imbuída na tarefa evangelizadora da Igreja junto de vários países da região, surgiram Macau e Hong Kong também como uma oportunidade de missão. A Igreja pode também aqui manifestar o seu carinho, tendo a nossa Congregação aderido à missão de evangelizar nesta terra. É o que vimos fazendo com muita esperança e alegria. Mas sabemos, pois disso temos consciência, das dificuldades que esta missão acarreta. Ainda assim, a confiança no Senhor é cada vez maior, e tal manifesta-se quando servimos as pessoas, que nos são cada vez mais familiares e queridas. Com elas percorreremos o Caminho, olhando destemidamente para o horizonte, sempre com o desejo de alimentar a vida, servindo o Evangelho.


CL – Em Macau, por exemplo, a Província Portuguesa dos Dehonianos contribui para o ministério da Palavra em língua portuguesa. Que mais podem os Sacerdotes do Coração de Jesus oferecer a esta Igreja?


P.C.C. – O nosso fundador, o venerável Padre Dehon, sempre teve presente de que a Palavra de Deus era o nosso alimento diário. Ele mesmo foi um homem que viveu o Evangelho, contemplando-o e vivenciando-o no dia-a-dia. Daí termos a tradição de sempre zelar pelo estudo da Palavra de Deus, por meio da meditação e da pregação. É por isso que nunca faltaram à tradição dehoniana irmãos que tivessem um apostolado muito específico de serviço e difusão à Palavra de Deus. Nos últimos anos, os nossos irmãos em Portugal caracterizaram-se por partilhar a Palavra de Deus de uma forma muito bem trabalhada e bem estudada, tendo-se colocado ao serviço do povo, através da publicação de comentários ao Evangelho e de comentários às leituras bíblicas, com o intuito de fortalecer o conhecimento e a identidade cristã dos leigos. É um ministério que levamos muito a sério. Estamos gratos por poder servir a Igreja na Ásia também neste campo da formação bíblica.


Destaque: 


“A partir da nossa experiência carismática, alimentamos o desejo de estarmos sempre muito atentos às realidades da Igreja e da sociedade, procurando responder a situações concretas”



Padre Carlos Codorniu, recebido pelo D. Stephen Lee



Fonte de informação: O Clarim, Ano 76, No 39 , 1 de Março 2024








Padre Daniel Ribeiro, SCJ, Defendeu Tese de Doutoramento na Esfera do Ensino Secundário


«Colocar a Eucaristia no centro da formação católica»


Uma tese académica que é também uma proposta de formação eucarística. O padre Daniel Ribeiro, SCJ, responsável pela pastoral de língua portuguesa da igreja da Sé Catedral, defendeu com sucesso, a 8 de Julho, a sua tese de Doutoramento, na Universidade de São José.


O missionário da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos), que já se havia debruçado sobre a identidade das escolas católicas de Macau no âmbito dos estudos de Mestrado, propôs-se então perceber de que forma o pensamento teológico do Papa Bento XVI sobre a Eucaristia pode reforçar a missão evangelizadora dos estabelecimentos de Ensino de matriz católica e preparar alunos para uma vida ao serviço da sociedade. Ao longo dos últimos anos, o padre Daniel escrutinou o currículo, a dinâmica, os métodos de ensino e a performance de três dos mais conceituados colégios católicos de Macau – Colégio Diocesano de São José n.º 6, Colégio Yuet Wah e Colégio de Santa Rosa de Lima –, com o objetivo de compreender de que modo a identidade católica dos estabelecimentos molda as convicções e o comportamento dos alunos que lá estudam.


«Logo quando cheguei a Macau, apercebi-me de que pelo menos 35 por cento dos estudantes locais estudam em colégios católicos. O número mostra bem a relevância das escolas católicas», começou por sublinhar o vigário paroquial da na Sé Catedral para a comunidade de língua portuguesa.


O resultado do extenso trabalho de investigação conduzido pelo sacerdote está condensado em “A Teologia da Eucaristia nos escritos do Papa Bento XVI e as suas implicações para a formação de adolescentes nas escolas secundárias de Macau”, a tese que defendeu no início do mês. Nela, argumenta que a qualidade da educação assegurada nos três estabelecimentos de Ensino pode ser melhorada através da adoção de um programa de formação que coloque a Eucaristia no centro do processo educativo. «Uma das conclusões a que cheguei é que a formação religiosa nos colégios católicos é muito boa, o conteúdo teórico é muito bom, mas pode ser melhorado. Apresentei, por isso, uma proposta a que chamei de programa de educação eucarística. Não se trata apenas de criar um espírito e uma cultura de ensino, mas de colocar a Eucaristia no centro da formação católica, mesmo para aqueles alunos que não são católicos e que não recebem a Eucaristia», explicou.


«Qual é a abordagem específica do Papa Bento XVI em relação à Eucaristia? Ele diz que a Eucaristia é um mistério para ser acreditado, celebrado e vivido. Estes três aspetos adequam-se, em grande medida, à vida dos jovens. Quando falamos em Eucaristia, para o Papa Bento, primeiro, entra a parte intelectual, a compreensão. Depois, entra a parte celebrativa, a parte comunitária, o aspeto do relacionamento entre as pessoas e, por fim, a parte da aplicação da vida, que é a Doutrina Social da Igreja, o impulso para se viver aquilo que se celebra. Estes três aspetos são muito práticos e vão ao encontro daquela que é a missão dos colégios católicos», acrescentou o padre Daniel.



Mais do que 

Uma Carreira


Apesar de defender que o currículo ministrado nas escolas católicas de Macau cumpre o propósito fundamental de educar com valores, o padre Daniel identifica, na sua tese, uma lacuna entre a teoria e a prática. O sacerdote atribui a lacuna, precisamente, à ausência de formação no aspecto sacramental e eucarístico da vida da Igreja e considera que o alinhamento do propósito educativo das escolas com a teologia eucarística do então cardeal D. Joseph Ratzinger não só elimina essa lacuna, como propicia aos alunos uma educação mais sólida, mais holística e mais humana. «Um colégio católico tem três missões: a evangelização, a vida em comunidade – que é mais do que uma instituição, é uma comunidade – e, ainda, preparar os alunos para que estejam ao serviço da sociedade. Não se trata apenas de lhes proporcionar uma carreira», argumentou. «Estes três aspetos também estão relacionados com a teologia eucarística do Papa Bento XVI. Quando digo que a Eucaristia é um mistério para ser entendido, corresponde à necessidade da Escola de evangelizar. Quando digo que a Eucaristia é um mistério para ser celebrado, corresponde à necessidade de o Colégio viver em comunidade, de as pessoas se encontrarem. Quando falo de a Eucaristia ser uma realidade para ser vivida, mostra a necessidade da caridade e dos colégios prepararam os alunos para estarem ao serviço da sociedade», especificou.


O necessário realinhamento, reforçou, pode ser conduzido sem que uma revolução no currículo e nas práticas de ensino atualmente em vigor, se faça necessária. A forma como o currículo religioso das escolas católicas de Macau está estruturado permite destacar a natureza eucarística dos ensinamentos da Igreja sem que se sacrifiquem outras facetas e valores: «A minha proposta não é que se mudem os currículos das escolas, até porque o currículo que já existe dá para enfatizar a temática da Eucaristia. Por exemplo, os currículos aqui dão ênfase à temática da Cristologia, a Cristo. O aspeto central da Cristologia é o mistério da Paixão de Cristo, os três últimos dias da vida de Cristo. E não há como falar disso sem referir a Eucaristia. Quando no currículo se fala sobre Igreja e sobre o aspeto da Eclesiologia, a Igreja e a Eucaristia são, também, realidades inseparáveis. Através do currículo que já existe é possível destacar a temática da Eucaristia».


Para o padre Daniel, mesmo que as recomendações que emite não sejam acatadas, circunstância alguma rouba um poder transformador à empreitada intelectual a que se dedicou ao longo dos últimos anos. O estudo, garantiu, fez dele um melhor sacerdote: «Este trabalho ele teve um valor muito grande na minha vida como padre. Ajudou-me a compreender melhor a Eucaristia, celebrá-la melhor e vivê-la melhor. Para mim foi um grande fortalecimento na minha vocação».


O padre Daniel Ribeiro, SCJ, aquando da apresentação da tese de doutoramento


Fonte de informação: O Clarim, Ano 77, No 12 , 19 de Julho 2024


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