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Mensagens do Bispo de Macau

Mensagem da Páscoa de 2024 do Bispo D. Stephen Lee Bun Sang

Senhor ressuscitado, ensina-nos a rezar

Caros irmãos,

Aleluia!

 

A Ressurreição de Cristo torna a nossa fé real e viva (cf. 1 Cor., 15, 14). Sempre que professamos de novo esta fé, participamos na sua Morte e Ressurreição, através da recepção dos Sacramentos (cf. Rm., 6, 5-8; Jo., 6, 54). Mas nunca é suficiente acreditar e professar esta fé; é necessário estabelecer uma relação com Deus, através da oração.

Em preparação para o Ano Jubilar, o Papa Francisco designou este ano como o “Ano de Oração” e, através do Dicastério para a Evangelização, publicou um guia para encorajar os fiéis a viverem fielmente a sua vida de oração. O Ano de Oração é um convite a aprofundar a nossa relação com Deus e uma oportunidade para refletir sobre a qualidade da nossa fé.

Na nossa vida quotidiana, podemos enfrentar diferentes situações, boas ou más, mas mesmo nos nossos horários mais ocupados, devemos reservar tempo para a oração. “Rezar é o modo de deixar Deus agir em nós, de compreender o que Ele nos quer comunicar mesmo nas situações mais difíceis, de rezar para ter a força de ir em frente” (Papa Francisco, Ângelus, 9 de Janeiro de 2022).

  «Senhor, ensina-nos a orar!» (Lucas 11:1). Este pedido e promessa dos discípulos reflete certamente a consciência da sua inadequação e da necessidade de uma orientação prática sobre a forma de rezar. A oração não é apenas um hábito devocional, mas um “sopro de vida” espiritual, onde “respirar” é a necessidade humana mais básica (cf. Papa Francisco, Audiência de Quarta-feira, 9 de Junho de 2021). Cada vez que rezamos é uma oportunidade para uma comunhão mais profunda com Deus, bem como uma oportunidade para ouvir as palavras de Deus para connosco.

A oração é o caminho para entrar em contacto com a nossa verdade mais profunda, onde a própria luz de Deus está presente; e esta luz estender-se-á às nossas vidas, para que possamos viver a Presença de Deus. A oração é como uma bússola que guia (cf. Manual do Ano de Oração, “Ensina-nos a rezar”) e uma âncora que nos impede de nos deixarmos levar pelos ventos e pelas ondas.

A oração regular e com conteúdo alimenta a nossa vida quotidiana e ajuda-nos a viver a presença de Deus em todos os momentos. A oração requer perseverança, pois quando uma alma ama e é persistente nas orações, o coração pode ser transformado e convertido, e assim transformar os outros: a comunidade, a sociedade e até o mundo inteiro.

Em resposta ao Papa Francisco, convido todos os membros da Diocese a promoverem a centralidade da oração individual e em comunidade, a fim de se prepararem para o Ano Jubilar. O primeiro passo é revisitar o ensinamento do Papa Francisco sobre o tema da “Oração” nas suas Audiências de Quarta-feira dos últimos anos, e entrar na escola da oração através da meditação.


A ORAÇÃO NA COMUNIDADE PAROQUIAL – A nível da comunidade paroquial, é importante colocar todos os pormenores do Santo Sacrifício na Missa, porque “participar no sacrifício eucarístico é a fonte e o ápice de toda a vida cristã” (Lumen Gentium, 11); ou organizar diferentes encontros de oração, como a Liturgia das Horas, a Adoração Eucarística, a Reconciliação, etc., permitindo que todos os membros da paróquia possam compreender a essência da oração, bem como participar na vida de oração pública da Igreja.


A ORAÇÃO NA FAMÍLIA – A família é uma escola de oração, e é o primeiro lugar para alimentar a vida de oração dos filhos; só através da pastoral familiar pode permitir-lhes ser igrejas domésticas e fermento de evangelização na sociedade (cf. Amoris Laetitia, 290). “O espaço de vida de uma família pode transformar-se numa igreja doméstica, um cenário para a Eucaristia, a presença de Cristo sentado à sua mesa... Aqui vemos uma casa cheia da presença de Deus, da oração comum e de todas as bênçãos.” (cf. AL, 15)


A ORAÇÃO DOS JOVENS – Os jovens estão muitas vezes confusos e podem encontrar muitos altos e baixos nas suas vidas, é mais importante acompanhá-los e descobrir com eles que o conforto vem das orações. “Os jovens podem encontrar-se uns com os outros, onde podem partilhar a música, os jogos, o desporto, mas também a reflexão e a oração” (Christus Vivit, 218)


RETIROS DE ORAÇÃO – «[Jesus] foi para um lugar deserto e ali rezou» (Mc. 1: 35). O Evangelista dá-nos uma imagem de Jesus que aponta para duas dimensões essenciais da oração cristã: 1) o afastamento da rotina quotidiana – necessário para procurar o diálogo pessoal com o Pai; e 2) um coração silencioso – indispensável para escutar a voz de Deus e ouvir o que Ele quer. Nesta perspectiva e no contexto do Ano de Oração, um retiro espiritual pode constituir uma oportunidade ímpar de conversão espiritual e de renovação do coração (cf. Manual do Ano de Oração, “Ensina-nos a rezar”).


CATEQUESE SOBRE A ORAÇÃO – Como etapa fundamental do processo de evangelização, a catequese tem o objetivo de educar para a oração e na oração, desenvolve a dimensão contemplativa do cristão. Através da formação catequética, os fiéis podem compreender o significado mais profundo da oração e, assim, viver o espírito de oração.

Neste Ano de Oração, redescubramos a centralidade da oração e cultivemos uma vida de oração e uma alma de oração, que se estenderá à nossa vida futura e nos aproximará de Deus. Confiemos também na nossa Mãe do Céu e imitemo-la para mantermos um coração sincero e humilde para rezar, a fim de nos tornarmos Peregrinos da Esperança em direcção ao Ano Jubilar.


†D. Stephen Lee Bun Sang

Bispo da Diocese de Macau




Carta do Bispo Stephen LEE sobre o “Inquérito à Situação Actual dos Idosos Católicos em Macau” (2024)


Irmãos e irmãs no Senhor,

No dia 28 de Julho deste ano celebrou-se o quarto Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. O Papa Francisco determinou que o tema do mesmo é: “Não me rejeites agora que sou velho; não me abandones agora que estou fraco” (Sl 71:9) e destacou que a solidão e o isolamento são factores importantes que afectam a saúde e o bem-estar dos idosos na atualidade. Lembrou que devemos valorizar todos os momentos em que encontramos idosos e reconhecer os seus contributos. O Papa exorta-nos a não só nos preocuparmos com a saúde física dos idosos, como também a prestarmos atenção às suas necessidades espirituais. Salientou que a solidão não é inevitável na velhice, mas sim uma névoa que a sociedade precisa de trabalhar em conjunto, no sentido de a eliminar. Por isso, cada um dos membros da nossa Igreja deve tomar a iniciativa de contactar e apoiar os anciãos que os rodeiam, com uma mente aberta para que estes possam sentir o calor de serem valorizados e amados.

Hoje, Macau enfrenta o desafio crescente do envelhecimento da população e o número de idosos no seio da Igreja e da comunidade também aumenta constantemente. Segundo dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos de Macau, até ao final de 2023 a população idosa de Macau com 65 ou mais anos de idade terá atingido cerca de 100 mil pessoas, sendo que a taxa de envelhecimento subiu até 106,1%, o que significa que por cada 100 jovens, há aproximadamente 106 idosos. À medida que o número de idosos continua a crescer, devemos pensar mais profundamente sobre como prestar-lhes apoio, para que cada idoso possa viver no abraço da dignidade e do amor, e desfrutar de cada momento da vida.

Face a esta realidade, a Diocese de Macau lançou um inquérito intitulado “Inquérito sobre a Situação Actual da Saúde e o Apoio à Vida dos Idosos Católicos em Macau”, a fim de obter uma compreensão mais abrangente das reais necessidades dos idosos paroquianos locais, e formular orientações pastorais e de serviço que lhes sejam adequadas. O projeto obteve apoio financeiro do Instituto de Acção Social de Macau.

A Comissão Diocesana para a Vida de Macau, em conjunto com a Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de São José, lançou este extenso inquérito em Outubro deste ano, através de questionário presencial, junto de cidadãos com 60 ou mais anos de idade, que se encontram sozinhos e não recebem apoios sociais.

A implementação deste projecto diocesano depende das vossas orações e do vosso apoio. Convidamos, sinceramente, todos os paroquianos a cooperarem com o processo de inquérito em curso. Ao mesmo tempo são todos bem-vindos para ajudar como inquiridores voluntários e, assim, auxiliar os paroquianos idosos a preencherem os questionários.

Posteriormente, iremos criar grupos de voluntários com o propósito de realizar inquéritos nas várias paróquias da Diocese, por etapas. Se necessário, deslocar-nos-emos às casas de paroquianos idosos com mobilidade reduzida para recolher os dados mais relevantes.

Para detalhes do projecto e datas específicas, os voluntários podem encontrar mais informações junto dos párocos e da Comissão Diocesana para a Vida.

Peçamos ao Pai Celestial que nos conceda o Seu Espírito Santo, para iluminar a nossa sabedoria, aquecer os nossos corações e fortalecer a nossa vontade. Vamos andar de mãos dadas, valorizando cada idoso, para que através do nosso cuidado possam sentir a beleza da vida.


Aos 23 de Outubro, 2024

†D. Stephen Lee Bun Sang

Bispo da Diocese de Macau





Mensagem de Natal do Bispo para o ano de 2024

Preparando o Ano Jubilar –

Embarcar Juntos numa Viagem de Misericórdia e Esperança


Caros irmãos e irmãs em Cristo, 


«O Senhor me deu o seu  Espírito.  Ele me escolheu para levar a Boa  boas Nova aos pobres...e anunciar que chegou o tempo em que o Senhor salvará o seu povo. » (Lc., 4:18-19)


«Confia no Senhor.  Tem fé e coragem.  Confia em Deus, o Senhor» (Sl. 27:14)


Em cada Natal, celebramos com reverência o Nascimento do nosso Salvador, Jesus Cristo. O Natal deste ano tem um significado extraordinário, uma vez que nos encontramos no limiar do Ano Jubilar de 2025 – um tempo centrado no tema da “esperança”, cheio de misericórdia e graça. Ao antecipar este Jubileu, a Diocese convida cada um de vós a preparar os vossos corações através da oração, da peregrinação e da comunhão comunitária, abraçando a fé, a caridade e a esperança para acolher as bênçãos do Senhor (cf. Bula de proclamação, 1, 3).


Comecemos todos pela reflexão sobre o significado do Jubileu de 2025: Um Jubileu é um período especial que simboliza a libertação, o perdão e a misericórdia sem limites de Deus. Não se trata apenas de um convite pessoal, mas também de um apelo coletivo. Cada um de nós é um companheiro de peregrinação nesta viagem sagrada de “esperança”, respondendo ao apelo de Deus para avançar em direcção a um mundo mais justo, pacífico e cheio de esperança. Uma graça fundamental do Jubileu é a concessão de indulgências, um dom extraordinário que significa a descoberta da infinita misericórdia de Deus: “o termo ‘misericórdia’ era cambiável com o de ‘indulgência’, precisamente porque pretende exprimir a plenitude do perdão de Deus que não conhece limites” (Bula, 23).


Seguindo a orientação do Papa Francisco, tal como delineado na Bula de Proclamação do Jubileu, a nossa Diocese identificou quatro áreas-chave para o enfoque pastoral: Educação, Serviços Sociais, Família e Juventude. Através de ações concretas nestas áreas, esperamos ajudar todos a viver os valores do Jubileu, partilhando as graças de Deus cheias de esperança.


1. Educação: Formar Testemunhas de “O Caminho, a Verdade e a Vida”

A educação forma almas e valores. As nossas escolas católicas iniciarão uma campanha centrada nos valores fundamentais de Jesus Cristo como “O Caminho, a Verdade e a Vida”, esforçando-se por educar os alunos para que se tornem indivíduos de integridade moral, fé e compaixão. Convido todos os que contribuem para esta missão – em particular as Comissões Diocesanas da Educação Católica e para a Formação Catequética, a Universidade Católica e as comunidades escolares – a prestarem uma atenção especial ao reconhecimento, por parte dos jovens, do valor da vida e das suas necessidades espirituais, a fazer ver a cada um deles a esperança no futuro, o “futuro funda-se no seu entusiasmo. Como é belo vê-los irradiar energia” (Bula, 12).


2. Serviços Sociais: Praticar a Misericórdia e a Justiça

O Jubileu chama-nos a cuidar dos vulneráveis, incluindo os idosos, os doentes, os pobres, os presos, os migrantes, os refugiados e outros em dificuldades. Somos chamados a encarnar o amor e a compaixão de Deus, trazendo esperança através de actos de misericórdia. Convido todas as pessoas envolvidas – de modo particular o Grupo de Assistência Social da Comissão Diocesana para a Vida, as organizações católicas de assistência aos idosos e os serviços residenciais – a prestar uma atenção especial à saúde e ao bem-estar dos idosos que estão à vista, a fazer-lhes sentir o calor mesmo no sol poente, porque “sinais de esperança merecem-nos os idosos, que muitas vezes experimentam a solidão e o sentimento de abandono” (Bula, 14). Ofereçamos cuidados integrais e acolhimento aos que se encontram em situações difíceis, levando-lhes um hino à dignidade humana, um cântico de esperança (cf. Bula, 11, 14).


3. Igreja: Reconstruir Comunidades de Amor nas Famílias e na nossa Igreja

As famílias são a pedra angular da Igreja e a primeira escola da fé. Da mesma forma, as comunidades no seio da Igreja – quer sejam homens e mulheres consagrados, sociedades ou movimentos – servem como a vanguarda na indicação da “necessidade duma aliança social em prol da esperança, que seja inclusiva e não ideológica, e trabalhe por um futuro marcado pelo sorriso de tantos meninos e meninas, em muitas partes do mundo”. Encorajo organizações como o Conselho Consultivo da Família Católica e as associações de pais e professores das nossas escolas católicas a evangelizarem num espírito de sinodalidade. O nosso Papa Francisco tem-nos recordado repetidamente “como o casamento, a paternidade e as relações familiares fortes e estáveis influenciam o mundo em que vivemos”. A beleza da família reside na partilha de um amor fiel, na confiança, na cooperação e no apoio mútuo. Os líderes de todas as famílias católicas devem “assegurar que os múltiplos sinais de esperança testemunhem a presença de Deus no mundo com os seus respectivos carismas e ministérios” (cf. Bula, 17). Esta é a responsabilidade de construir uma cultura da caridade no seio da família.


4. Juventude: A Esperança e a Força do Futuro

Os jovens representam a esperança do futuro da Igreja, mas precisam de orientação e apoio para se tornarem contribuintes positivos para a sociedade e para a fé. O Papa Francisco encoraja os jovens a serem “testemunhas da beleza e da novidade da vida”. Convido todos os que trabalham com os jovens – em particular as Comissões Diocesanas para a Juventude e para as Vocações, as aulas de catequese em cada paróquia e os grupos de jovens nas dioceses – a esforçarem-se mais para chegar aos jovens. “Com renovada paixão, cuidemos dos adolescentes, dos estudantes, das gerações jovens! Mantenhamo-nos próximo dos jovens, alegria e esperança da Igreja e do mundo!” (Bula, 12). Esforcemo-nos também por construir plataformas onde os jovens possam participar ativamente e exprimir-se, para ouvir as suas vozes e compreender as suas necessidades. Que eles sejam fortalecidos com a coragem de “confie no Senhor!” e se tornem “artesãos da esperança” em Cristo (como exortou o Papa Francisco durante o seu discurso aos representantes do Conselho Italiano da Juventude em 16 de Novembro de 2024).


Neste Natal, vamos abraçar o espírito de peregrinos e explorar os presépios espalhados por Macau, mergulhando na imagem terna do Nascimento do Menino Jesus – a fonte sagrada do amor sem limites e da esperança duradoura. À medida que esta época santa nos conduz ao Ano Jubilar, possamos manifestar a profunda alegria da fé através das nossas palavras sinceras e ações significativas, caminhando juntos como companheiros de peregrinação numa jornada partilhada para receber e celebrar as abundantes bênçãos deste Jubileu especial.


Que este Natal e o Ano Jubilar de 2025 tragam paz e as bênçãos de Deus a todos.



†D. Stephen Lee Bun Sang

Bispo da Diocese de Macau


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